Ansiedade

17.10.2018

O Brasil tem um dos maiores índices de pessoas ansiosas do mundo e em 2015 foram catalogadas cerca 18,6 milhões de pessoas com transtorno de ansiedade no país. Muito, não é? E a cada dia que passa vemos a questão tomar conta das mídias, das redes sociais, com um número grande de pessoas relatando 'serem ansiosos'. O que nos mostra uma real necessidade de debater e entender melhor esse tema.

 

A ansiedade é um mecanismo de defesa humana e faz parte do nosso sistema de alarme, nos preparando para situações desconhecidas e que podem apresentar riscos a nossa sobrevivência. Pesquisas e observações dentro da psicologia experimental e medicina permitem que a ansiedade seja definida, de maneira bem simples, como uma sensação de que algo 'ruim' pode acontecer a qualquer momento e não que teremos os recursos necessários para enfrentar essa situação. No dia-a-dia ela também pode aparecer como um sentimento vago e difuso, uma angústia, aperto no peito ou uma sensação de que algo está errado. 

 

No passado, esse sentimento permitiu que o ser-humano se protegesse de ameaças, animais, invasões de territórios, guerras, lutas e etc., sendo um recurso evolutivo. Assim, é possível afirmar que as pessoas, enquanto seres-humanos, estão propensas a ter essa sensação que, pelo lado positivo, além de nos proteger, permite que nos coloquemos prontos para a ação e resolução de problemas. E daí vem também os sintomas da ansiedade: tensão, inquietação, apreensão, aceleração dos batimentos cardíacos: é o nosso corpo em estado de alerta, pronto para enfrentar qualquer situação. O problema ocorre quando essa ansiedade, reação natural do corpo humano a determinadas situações, passa a ser um incômodo tanto em relação a sua frequência, aparecendo não só em situações que realmente são ansiogênicas e permanecendo por muito tempo, quanto na intensidade, com sintomas graves e de difícil controle, causando adoecimento. 

 

Hoje já não temos as mesmas ameaças como do homem pré-histórico. Vivemos em relativo conforto e com menos riscos iminentes de vida e isso acaba fazendo com que a ansiedade seja ainda mais incômoda, porque ela PARECE não estar relacionada com nenhum fato específico, aparecendo no dia-a-dia de maneira constante ou aleatória, intensa e descontrolada. Contudo, se pararmos para observar o nosso contexto social, veremos que estamos cercados de ameaças silenciosas, que diariamente nos oprimem, preocupam, comparam e etc. Trabalhamos praticamente 24 horas por dia, os relacionamentos e as trocas sociais acontecem sem parar nos celulares e computadores, nossa figura, o que fazemos e o que pensamos estão o tempo todo sendo julgados pelas pessoas que nos rodeiam e pelas mídias, o sucesso financeiro e profissional é algo tão necessário quanto se alimentar, não descansamos da maneira que deveríamos, dormimos mal, estamos cercados e sempre buscando novos estímulos, enfim... as ameaças são muitas, contribuindo para o aumento e a manutenção da ansiedade.  

 

É preciso lembrar que a ansiedade não é um estado fixo, ninguém É ansioso e sim ESTÁ ansioso, sendo ela uma maneira do sujeito ver e lidar com o mundo em um momento específico. Como já disse a ansiedade é um alerta do corpo e como todo sinal, ela está tentando dizer algo que você não está conseguindo ouvir. Talvez, exista um problema real que você precisa enfrentar e está evitando, talvez o problema pode ser mais abstrato e simbólico, mostrando algo que não está te fazendo bem em sua vida, pode ser uma série de coisas que você pode não estar percebendo. Então quando a ansiedade vier, uma alternativa pode ser acolher e entender esse sentimento, buscando entrar em contato com o que ele está representando naquele momento na sua vida. Claro que a melhor maneira de lidar com a ansiedade depende sempre da pessoa, é individual e varia de caso para caso, mas creio ser o acolhimento e enfrentamento do sentimento a maneira mais benéfica de fazê-lo.

 

Evitar e anestesiar o sentimento parece menos trabalhoso e dolorido, até porque estamos inseridos em um contexto social que nos impõe felicidade absoluta e sentir ansiedade pode gerar culpa, sensação de fracasso, vergonha, medo... E por isso fingir que ela não existe parece o caminho mais fácil, curto, e às vezes é o recurso que temos: um jogo, televisão, internet ou até simplesmente, o desvio de pensamento. Porém, esse escape, que pode até aliviar os sintomas físicos no momento, não faz com que o cerne da questão seja compreendido, trabalhado e enfrentado, fazendo com que o problema sempre volte à tona. Ignorar um sentimento, uma sensação do corpo é ignorar uma parte sua, é fugir de si. Às vezes ficamos ansiosos, e é isso. Faz parte da vida e simplesmente aceitar sem julgamento pode trazer leveza. 

 

Outras maneiras que tem sido apontadas como formas saudáveis de enfrentamento da ansiedade é a arte, a criação e o movimento de vida. É a ressignificação da ansiedade permitindo que ela passe de um sentimento patológico e paralisante para uma força de movimento e de sentido de vida. O descanso também pode ser outra maneira de aliviar a ansiedade, uma vez que os sintomas ansiosos podem se relacionar com a falta do descanso apropriado do organismo e excesso de estímulos. De qualquer forma, é sempre indicado a procura de um profissional sempre que a ansiedade começar a ser recorrente, incômoda, intensa e disfuncional. Contar com auxílio nesse momento pode ser essencial para compreender e lidar da melhor maneira possível com os seus sentimentos e sensações, então não exite em procurar ajuda. 

 

Anna Beatriz Ribeiro Paiva Netto 

Psicóloga Clínica CRP: 04/52155

Contato: (32) 9 88451773

 

Referências: 

https://psicologado.com.br/psicopatologia/saude-mental/a-ansiedade-o-olhar-existencial-humanista 

https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=5354:aumenta-o-numero-de-pessoas-com-depressao-no-mundo&Itemid=839

Da Ansiedade à Depressão, Sofia Bauer.

 

 

 

 

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